Anastasia Asimov
- Esposa de Vasilys Korotov
- Mãe de Anatoly Tolstoi
- Faz parte da família dos Asimov
Anastasia Asimov
[edit | edit source]Papel: Nobre mortal / Humana protegida do Clã Brujah Nome completo: Anastasia Vladimirovna Asimova Também chamada de: Natya
Biografia
[edit | edit source]Anastasia Vladimirovna Asimova nasceu por volta de 1868 em Volzhensk, filha caçula de Vladimir Asimov e Lizaveta Asimova. Cresceu à sombra de um pai que tratava a crueldade como método de gestão doméstica e de um irmão que tratava tudo ao redor como peça de um tabuleiro de xadrez que só ele conseguia enxergar. Nesse ambiente, ela aprendeu a ocupar o espaço que sobrou: o piano.
Era extraordinária no instrumento. Tocava desde criança, e enquanto as brigas e surras aconteciam na sala de estar, a música de Natya enchia o cômodo com algo que nenhum dos presentes sabia bem nomear — beleza, talvez, ou desconforto, porque beleza naquele contexto parecia uma crueldade diferente. Quando o pai espancava Vasily Korotov em plena sala, Anastasia cobria os ouvidos e fechava os olhos. Quando Vladimir ordenava que tocasse de novo, ela tocava. A música tornava-se mais intensa e grave conforme a violência se instalava, como se o piano soubesse o que ela não podia dizer.
Era bonita da forma que a Rússia aristocrática premiava: cabelos escuros, bochechas coradas, olhos cinzentos afiados. Aos dezesseis já atraía atenção dos rapazes que visitavam a propriedade, o que era ao mesmo tempo uma fonte de orgulho para Vladimir e uma ameaça que ele monitorava com cuidado. Além do piano, havia recebido anos de aulas de canto — a voz era descrita, por quem a ouvia, como a de um anjo.
Tinha também um vício menor, mas revelador: gostava de bisbilhotar. Invadiu a biblioteca de Maksim mais de uma vez para ouvir conversas que não eram para ela. Era o único espaço em que exercia alguma autonomia — a espiada, o segredo colhido, o sorriso com o leque na frente do rosto quando sabia algo que os outros achavam que não sabia.
Em 1881, quando Lev Ivanovitch chegou como criado, Anastasia tinha doze ou treze anos. Não há muito a registrar desse período inicial além de que ela notou o criado, como notava tudo, e que a rosa branca era sua favorita.
O que mudou foi a chegada da princesa Irina Grigorievna Meshcherskaya, que passou um ano hospedada na casa dos Asimov. Anastasia reagiu à presença da princesa de forma que poucos anteciparam: tornou-se rebelde. Respondia ao pai com petulância. Discutia. Ocupava espaço. Depois que Irina foi embora, voltou a ser a filha doce de sempre — "o pequeno tesouro de Vladimir", como diziam. Mas quem presta atenção sabe que certas transformações não se revertem completamente. Ficam como uma camada nova sob a pintura antiga.
Em 1882, Sofia Ivanova Kostina começou a visitar a casa por conta do noivado com Maksim, e as duas se tornaram inseparáveis. Sofia preferia a companhia de Natya à do noivo, o que dizia mais sobre Maksim do que sobre qualquer coisa. Elas bordavam, riam, sussurravam. "Ele vai ser muito bonito quando for mais velho" — Natya disse ao passar de Lev, em voz baixa o suficiente para ser ouvida.
A questão de Vasily Korotov é complicada. Sofia argumentava que Natya "não daria atenção a Vasily se não soubesse" de sua suposta linhagem nobre — a mentira dos Tolstói que Lev e Maksim haviam fabricado. É possível. Também é possível que Natya simplesmente visse em Vasily o que todos os outros ignoravam: alguém que também cresceu na violência dessa casa e que sabia, melhor do que qualquer nobre, o que era silenciar enquanto o mundo te passa por cima. A rosa branca que recebeu dele, com o bilhete escrito por Maksim e assinado pelo loiro, ficou com ela. "Korotov, essa rosa é a minha favorita, sabia?"
Quando Lev colocava flores em seu cabelo enquanto ela tocava, ela perguntava por Vasily. E depois virou-se, de forma súbita e sem aviso, e o beijou nos lábios.
Lev recuou horrorizado. Ela se esquivou depois disso, evitando-o como se fosse ela a envergonhada, e não ele.
Em setembro de 1884, Anastasia foi sequestrada em São Petersburgo por Artem — um Brujah aliado de Lev — e pela Gangrel Lyubov, que lhe deixou um hematoma sobre o nariz como lembrança. Quando Lev desceu ao porão do galpão onde estava acorrentada pelos tornozelos, encontrou-a abraçada com os próprios joelhos, as madeixas negras caindo sobre o rosto, os olhos cinzentos apáticos.
"Você já não quebrou todos os pedaços?" — ela perguntou. Sem acusação. Como quem constata uma soma.
Resistiu com a única coisa que lhe restava: a pergunta certa. "O que você sabe além do próprio sofrimento?" — respondeu ao grito de Lev com firmeza. E depois: "O que eu fiz para merecer tanto desprezo?"
Lev respondeu no ouvido dela, com violência contida, que jamais a perdoaria por ter fingido amar alguém como ele. A resposta disse mais sobre ele do que sobre ela.
Naquela noite, Anastasia se casou com Vasily Korotov. Usava vestido branco com gola e mangas de renda, botões de pérola, véu sobre os cabelos em coque, buquê de rosas brancas e margaridas. Vasily a esperava no altar. Os dois carregavam semblantes tão tristes que era difícil saber quem estava mais infeliz. Acompanhou Vasily de volta a Volzhensk naquela mesma noite, e a solidão ficou com Lev.
O que veio depois foi inesperado — ou talvez fosse a única coisa inevitável.
A resignação inicial era palpável: "lábios pálidos, olhar sem vida." Recebia visitas com cortesia automática, pedia chá com mel, tocava a tecla de sol do piano quando Artem pressionava, sorria de forma que não chegava aos olhos. Mas Vasily era caseiro, como ela disse, e genuíno, como ele sempre fora. E Vasily a amava de uma forma que seu pai jamais amara nem seus filhos nem seus criados — sem cálculo, sem condição, sem agenda.
Ela começou a cantar para ele durante as crises epiléticas. Acariciava os cabelos. Sorria de verdade. Beijava-o em público, o que escandalizava Sofia e perturbava Maksim além do que ele sabia administrar.
"Anastasia ama o epilético. Isso me enoja. O que você fez, Lev? Como destruiu a alma de minha irmã assim?" — Maksim exigiu, anos depois, em uma das vezes em que os caminhos dos irmãos se cruzaram. "Você a transformou em uma camponesa de alma!"
Era o maior elogio que Anastasia poderia receber, vindo de uma fonte que nunca soube reconhecer o que estava dizendo.
Teve um filho com Vasily. Ele se chama Anatoly — nome sugerido por Artem, que significa "nascido do sol." O sobrenome registrado é Tolstói, herdando a lenda construída por Lev anos antes, quando inventou uma linhagem nobre para um menino epilético comprado por vinte kopecks.
Vasily escreveu sobre o parto no diário: "Anastasia está feliz. Durante o parto, foi forte. Minha Natya é forte como uma égua paradeira! Eu a amo."
Era o mesmo piano, a mesma casa, o mesmo jardim de rosas. Mas quem tocava agora era outra pessoa.
Notas para o Narrador
[edit | edit source]Anastasia é o personagem que respondeu à violência com mais violência interna — encolhimento, conformidade, a máscara da filha perfeita — e que só encontrou saída quando o pior já havia acontecido. O sequestro e o casamento forçado destruíram a estrutura que aprisionava tanto quanto protegia. O que emergiu do outro lado foi mais genuíno.
A pergunta que ela fez a Lev no porão — "O que eu fiz para merecer tanto desprezo?" — não tem resposta satisfatória, e isso é parte do que ela carrega.
Atualmente (após 1884) vive em Volzhensk na propriedade dos Asimov com Vasily e o filho Anatoly Tolstói, sob proteção do Clã Brujah.
Categoria:Personagens Categoria:Vampiros Categoria:Clã Brujah
