Flores
Flores
[edit | edit source]| Nome completo | Ofélia Joana das Flores |
|---|---|
| Também chamada | Joana das Flores / A Moça das Rosas / A Besta de Gévaudan |
| Clã | Gangrel (anomalia: usa Vicissitude — disciplina Tzimisce) |
| Geração | 9ª |
| Abraço | c. 1760 — França rural (região de Gévaudan) |
| Sire | Servo Gangrel de Paulino (sem nome registrado) |
| Seita | Sem seita |
| Papel na crônica | Co-criadora dos Pavelitas, do Coração e da Trança; parceira e depois dissidente de Paulino; possivelmente a primeira Pavelita |
Status atual: Em torpor profundo. Enterrada sem os pés, voltada para a parede, em canto isolado de cemitério abandonado em Gévaudan. (Derrota: março de 1926.)
"A cada morte, fico mais próxima de você, Pavel..."
Conceito
[edit | edit source]Freira cega, filha de família que não a quis, abraçada num ato de traição calculada contra os homens que a abusaram. Encontrou em Paulino o único ser que a tratou como igual. Tornou-se sua carniçal, sua parceira, sua amante, sua co-pesquisadora — e, por fim, o ponto onde ele precisou traçar um limite.
Flores compartilha a visão científica de Paulino sobre o vampirismo, mas introduz nela uma dimensão que ele nunca quis: a religião, o mito, a reprodução. A Nova Éden não é metáfora para ela. É uma promessa.
O rompimento com Paulino foi o último elo que a prendia à razão. Depois disso, só restou a busca.
Aparência
[edit | edit source]- Cega. Sempre foi. Os olhos existem — azulados, quase sem cor — mas não veem. O que ela enxerga vem de outro lugar
- Cabelos longos e ruivos, frequentemente encharcados ou cobertos de terra
- Corpo muito pálido, forte mas definido pela magreza que expõe os músculos
- Rosto delicado, embora marcado
- Pele coberta por cortes profundos que emitem vapor quente — anomalia constante, efeito da Vicissitude no metabolismo
- Aura fria e sombria; pequenas cinzas escuras circulam sua forma
- Crescimentos de membros anormais: apêndices de inseto, articulações extras, terminações sensoriais que substituem a visão
- Sua forma bestial começou como centopeia (como Aiden) e, através de décadas de Vicissitude, evoluiu para algo maior, mais estranho
Próxima a ela, ouvem-se sussurros de centenas de mentes animais.

ATRIBUTOS
[edit | edit source]Físicos: Força 4 / Destreza 3 / Vigor 4 Sociais: Carisma 2 / Manipulação 2 / Autocontrole 1 Mentais: Inteligência 3 / Raciocínio 2 / Determinação 4
Saúde: 7 | Força de Vontade: 5
> Autocontrole 1 — a Besta está quase solta. Qualquer provocação pode desencadear frenesi imediato.
HABILIDADES
[edit | edit source]Físicas:
- Atletismo 3
- Briga 4 (especialidade: Combate sem visão — orientação por toque, olfato e rede sensorial)
- Armas Brancas 2
- Furtividade 3 (especialidade: Movimento sob terra, ambientes rurais)
- Sobrevivência 5 (especialidade: Wilderness — décadas fora de qualquer cidade)
Sociais:
- Trato com Animais 5 (especialidade: Visão delegada — enxergar o mundo através dos fâmulos)
- Intimidação 4
- Empatia 2 (funciona por impulso; ela sente mais do que analisa)
Mentais:
- Prontidão 4 (compensação pela cegueira — percepção aguçada por todos os outros sentidos)
- Ocultismo 2
- Medicina 2 (anatomia intuitiva, adquirida via experimentos de Vicissitude)
- Ciência 2 (base acadêmica absorvida de Paulino — biologia, teoria evolutiva)
TIPO DE PREDADOR
[edit | edit source]Beco sem Saída (Alleycat) — Alimenta por força; sem método refinado.
- Especialidade: Briga (combate sem visão)
- +1 Potência
- Flaw: Inimigo ● — sobreviventes que identificaram a "Besta de Gévaudan"
DISCIPLINAS
[edit | edit source]Animalismo ●●●●●
- ● Vínculo do Familiar (Furão e dezenas de outros fâmulos — sua rede de visão)
- ●● Calmar a Besta (usa em si mesma, raramente com sucesso)
- ●●● Uivar com os Lobos (comunica-se com centenas de animais simultaneamente; sua rede sensorial substitui a visão)
- ●●●● Controle da Colônia (teia de consciência que une criaturas e Pavelitas em rede compartilhada; mesmo em torpor, a rede persiste)
- ●●●●● Fusão (pode transferir sua consciência pela rede; em torpor, sua presença existe nos animais conectados)
Protean ●●●
- ● Sentidos do Predador (especialmente tato e olfato — compensa a cegueira)
- ●● Garras do Selvagem
- ●●● Terra de Sombras (variação: hiberna sob o solo por períodos longos)
Vicissitude ●●●● (disciplina anômala — herança direta dos experimentos de Paulino)
- ● Modelagem de Carne (remodelação básica — própria e alheia; ela foi o primeiro sujeito dos experimentos)
- ●● Ossos como Argila (deformações esqueléticas; criação dos apêndices sensoriais que substituem a visão)
- ●●● Vasos como Fios (usa vasos sanguíneos como suturas; pode causar necrose acelerada via contato; domínio parcial da Trança)
- ●●●● Transmissão de Memória (ao tocar alguém, acessa ou transmite memórias involuntariamente — efeito colateral de sua mente fragmentada)
VANTAGENS E DEFEITOS
[edit | edit source]Antecedentes:
- Lacaios ●●●● — Os Pavelitas conectados à sua rede; mesmo em torpor, o vínculo persiste
- Refúgio ●● — A terra de Gévaudan; o cemitério onde foi enterrada
Méritos:
- Estômago de Ferro ●● — Adaptado para absorver o Vitae volátil do Coração
Defeitos:
- Cega ●● — Não possui visão convencional. Compensa via Animalismo (olhos dos fâmulos) e apêndices sensoriais de Vicissitude, mas perde dados em testes que dependam de visão direta sem acesso à rede
- Marcado ●●● — Crescimentos corporais e vapor constante tornam camuflagem praticamente impossível
- Obsessão ●● — Pavel; qualquer criança abandonada ou deformada desvia completamente sua atenção
- Inimigo ●● — Caçadores rurais de Gévaudan; facções que investigam a "Besta" lendária
- Máculas do Frenesi ●● — Cada frenesi acumula nova característica animal permanente; o corpo já acumulou tantas que pouco resta de humano
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
[edit | edit source]Humanidade: 2 Potência do Sangue: 3 Bane (Gangrel): A cada frenesi, adquire permanentemente uma nova característica animal. Já acumulou tantas que novos frenesis afetam partes ainda reconhecíveis de sua forma. Compulsão (Retorno à Selvageria): Abandona qualquer plano social e age por instinto animal puro. Não pode usar Dominação, Presença ou habilidades sociais enquanto durar.
A História de Flores
[edit | edit source]A Vida Mortal
[edit | edit source]Flores nasceu cega. Condições misteriosas — os pais nunca souberam explicar, ou não quiseram. O que sabem é que não quiseram arcar com ela: entregaram-na a um monastério ainda jovem.
O monastério lhe deu educação e abrigo. Também servia a uma ordem precária de caçadores de vampiros. Flores viveu ali como freira — e sofreu abusos. O filho que carregava, Pavel, era fruto desse sofrimento.
Ela não o rejeitou. Desenvolveu apego, mesmo assim.
A Traição no Monastério
[edit | edit source]A ordem organizou uma comissão para destruir um vampiro poderoso na região: Paulino. Flores foi incluída no grupo sem compreender completamente o que fariam. Saíram. E foram emboscados por Paulino em forma Zulo — uma carnificina.
No caos, Flores enxergou oportunidade. Não apenas de sobreviver — de se vingar dos mesmos homens que a abusaram durante anos. Ela empurrou um deles sobre a criatura. Depois outro. Entregou partes dos guerreiros para o monstro.
E quando tudo acabou, Flores ficou de pé. E aceitou o que vinha a seguir.
O Acolhimento de Paulino
[edit | edit source]Paulino não a matou. Pelo contrário — a acolheu.
O motivo é vago até para ele. Mas Paulino tem fascínio profundo por indivíduos de grande determinação: seres humanos capazes de agir contra tudo que deveriam ser, por algo que consideram maior. Flores, uma freira cega que traiu seus companheiros com frieza calculada, era exatamente isso.
Ela tornou-se sua carniçal — uma posição muito similar à que ele mesmo ocupou com seu antigo mestre. Livre, útil, próxima.
Eles acabaram se apaixonando.
A Cegueira e os Experimentos
[edit | edit source]Paulino ofereceu tentar curar sua cegueira. Não conseguiu — até hoje. Mas Flores, em vez de esperar, aceitou outros meios.
Ele começou a experimentar Vicissitude nela: apêndices sensoriais inspirados em insetos, terminações táteis expandidas, estruturas que traduzem o ambiente em formas não-visuais de percepção. Ela se tornou o primeiro sujeito dos experimentos — voluntária e entusiasmada.
Foi durante esse período que Flores aprendeu a usar Animalismo como visão: delegar sua percepção aos olhos de fâmulos — centenas de animais conectados à sua rede. Furão é o mais constante. Ela rastreia pessoas, mapeia territórios, observa conversas — tudo através de criaturas que as pessoas nem percebem que estão ali.
O Abraço e a Perda
[edit | edit source]Quando chegou o momento, Flores foi abraçada por um dos servos Gangrel de Paulino.
O Abraço causou um aborto. O bebê — Pavel, filho do abuso no monastério, por quem ela havia desenvolvido apego apesar de tudo — não sobreviveu.
Ela seguiu em frente sem parar. Assim como da primeira vez.
Mas dessa vez alguma coisa não fechou.
A Vida Cainita — O Romance dos Monstros
[edit | edit source]Como vampira, Flores e Paulino construíram um romance acadêmico de monstros: dois seres completamente fora do mundo humano, unidos pela pesquisa, pela filosofia e por algo que, entre eles, funciona como afeto.
Ela absorveu a visão científica de Paulino sobre o vampirismo — o modelo evolutivo, a lógica parasitária, a necessidade de adaptação. Mas trouxe algo que ele nunca teve: analogias religiosas. O nome "Nova Éden" é dela. Para Paulino, é eficiência descritiva. Para Flores, é literalmente isso — um jardim onde o que a humanidade descartou pode existir e florescer.
Com o tempo, a forma bestial de Flores — que inicialmente se assemelhava a uma centopeia, como Aiden — foi sendo refinada por uso intensivo de Vicissitude até se tornar algo diferente: maior, mais complexo, mais estranho.
Os Corações e a Trança
[edit | edit source](Criações conjuntas de Flores e Paulino)
O Coração
[edit | edit source]Um organismo feito de Cainitas e animais fundidos vivos. Os animais continuam vivos e são alimentados normalmente. O sangue deles é continuamente drenado pelos Cainitas incorporados, processado e engrossado até se tornar um Vitae poderoso — mas extremamente volátil e impuro.
Funciona como uma usina biológica fechada: os Pavelitas coletam matéria orgânica para alimentar os animais do Coração, que produz o Vitae que os alimenta. Sistema autossustentável, como Paulino sempre quis.
A Trança
[edit | edit source]O Vitae do Coração é altamente viciante. Todos os Pavelitas que o consomem tornam-se hipersensíveis a laços de sangue. Isso não é falha — é feature.
A Trança é um sistema de laços mútuos e interligados: cada Pavelita é ligado ao Coração por laço de sangue, e ao Coração pelos demais. Um laço de laços — uma trança. Garante a cooperação, a unidade, e a impossibilidade de deserção sem custo devastador.
> Aiden foi Trançado antes de romper com Paulino. O laço ainda existe nele, dormente. Quando ele se esconde, algo na rede ainda o percebe.
A Divergência — O Ponto de Ruptura com Paulino
[edit | edit source]Flores identificou o que considerava a falha fatal do plano de Paulino: vampiros não se reproduzem.
Uma civilização Pavelita que depende exclusivamente de Abraçar humanos está sempre sujeita à interferência do mundo acima. Para Flores, isso era inaceitável. Ela começou a buscar soluções:
1. Clonagem e regeneração pelo Coração — os Pavelitas poderiam se "clonar" a partir do Coração, regenerando novos indivíduos a partir da massa orgânica. Teoricamente possível. Na prática: extremamente volátil e instável.
2. O experimento com o bebê — Flores abraçou um bebê abandonado que encontrou. Primeiro por impulso — o instinto materno ativado de repente, irrefreável. Mas também por curiosidade científica: seria possível abraçar um bebê e crescê-lo usando Vicissitude?
Paulino traçou o limite aqui.
Para ele, Flores havia se perdido — os experimentos haviam ultrapassado o que a metodologia suportava. O bebê abraçado não era ciência; era obsessão. Era Pavel.
O rompimento foi o último freio que ela tinha.
Convicções e Touchstones
[edit | edit source]Convicções:
- "Toda criatura que o mundo descartou merece existir"
- "O que foi tirado de mim pode ser reconstruído — de outro jeito"
- "A Nova Éden não é metáfora. É para onde estou indo"
Touchstone:
- Pavel — Não está vivo. Nunca vai estar. Mas Flores recria-o em cada Pavelita, em cada experimento, em cada criança que encontra e tenta proteger. Enquanto a ideia de Pavel existe, ela tem direção. O problema é que a direção a leva cada vez mais fundo.
Ambições e Desejos
[edit | edit source]Ambição: Criar um modo de existência onde o que é rejeitado pode não apenas sobreviver, mas crescer e se multiplicar — uma Nova Éden onde Pavel existiria, de alguma forma, para sempre.
Desejos:
- Imediato (antes do torpor): Proteger Lucía, a criança que encontrou em Gévaudan — projeção direta de Pavel
- Médio prazo: Despertar do torpor; verificar se os Pavelitas e o Coração continuam; descobrir o que aconteceu com o bebê que abraçou
- Longo prazo: Provar que vampiros podem se reproduzir — e que a Nova Éden é possível sem Paulino
Ganchos Narrativos
[edit | edit source]- A Rede Persistente: Mesmo em torpor, a rede de Animalismo não foi desfeita. Os Pavelitas ainda a sentem. Qualquer personagem que interaja com Pavelitas pode perceber uma presença no fundo da teia — algo que observa, mesmo dormindo.
- Furão: O cordeiro ainda existe. Quem o encontrar encontrará os olhos de Flores. E ela, através de Furão, os encontrará de volta.
- O Nome Pavel: Pronunciar "Pavel" perto de qualquer Pavelita muda algo. Uma atenção que não deveria estar ali.
- O Despertar: Flores foi enterrada, não destruída. Paulino sabe disso. O que ele pretende fazer?
- A Memória Transmitida: Fedaire, que a enterrou, recebeu visões de suas memórias ao tocar o esqueleto. O que ele viu? Essas memórias persistem nele?
- Lucía: A criança humana que Flores tentava proteger. O que acontece com ela agora?
- O Bebê Abraçado: Existe. Em algum lugar. O que é agora?
- Aiden e a Trança: Ele foi Trançado. Quando se esconde, a rede ainda o percebe. Flores, mesmo em torpor, talvez saiba onde ele está.
Notas do Narrador
[edit | edit source]- Flores é uma tragédia, não um monstro simples — mesmo quando arranca membros de personagens jogadores
- A última visão — regenerada, segurando uma criança à luz do sol — é o coração do personagem. Ela quer algo impossível. Isso a torna devastadora
- O rompimento com Paulino não foi abandono — foi um limite que ele precisou traçar. Ele ainda a vê como uma igual perdida. Isso é diferente de inimizade
- Não revelar cedo que ela é a primeira Pavelita — deixar os jogadores descobrirem
- Se despertar sem Paulino por perto, a estabilidade mínima desaparece. O que resta é instinto, grief e obsessão com Pavel
- A cegueira é poder narrativo: ela nunca viu o rosto de ninguém. Conhece o mundo por toque, cheiro, som — e pelos olhos de centenas de criaturas que as pessoas ignoram
Relações
[edit | edit source]Parceiro. Criador. O único ser que a acolheu depois de tudo. Ele traçou o limite que a partiu. Ela não o odeia — mas o projeto dela é maior do que o dele agora.
Pavel (filho morto — não tem arquivo)
[edit | edit source]O centro de tudo. Não existe mais. Continua sendo a razão de tudo. Os Pavelitas são nomeados em seu honor — consciente ou não.
Aiden
[edit | edit source]Foi abraçado durante a fase rebelde de Flores. Foi Trançado. A rede ainda o conecta, mesmo que ele tenha rompido. Ela o conhece de dentro para fora — literalmente.
Furão (cordeiro — familiar principal)
[edit | edit source]Cuidado maternal deslocado. O único vínculo afetivo imediato que ela mantém sem ambiguidade. A janela pela qual ela observa o mundo.
Lucía (criança humana)
[edit | edit source]Projeção recente de Pavel. Flores tentava protegê-la antes do torpor.
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