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Inspecteur Rémi Cauvet

From Vampiro

Inspecteur Rémi Cauvet

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Brigada Criminal — Commissariat du 19e Arrondissement — Paris, 1917

"Cinco vítimas. Todos pobres. Todos trabalhadores. A diferença entre um caso que ninguém resolve e um caso que todo mundo finge não existir é exatamente essa."


Quem É Cauvet

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Rémi Cauvet tem 53 anos e uma perna que não dobra direito desde 1901, quando uma prensa hidráulica no estaleiro onde trabalhava decidiu que ele não precisava do joelho esquerdo na posição original. O acidente o tirou da linha de montagem e o empurrou, por caminhos tortos que ele nunca planejou, para a polícia — onde descobriu ter jeito para o que chamam eufemisticamente de "trabalho de escritório": ler evidências, montar cronologias, identificar padrões em séries de eventos que para outros parecem aleatórios.

Quando a guerra chegou em 1914 e levou quase todos os homens do commissariat, Cauvet ficou. A perna o isentou do recrutamento sem necessidade de apelo ou subterfúgio — o conselho médico levou trinta segundos para carimbar o papel. Ele não se envergonha disso e não celebra. Simplesmente ficou, e continua fazendo o único trabalho que sabe fazer bem.

É inspetor de segunda classe há onze anos e recusou a promoção para primeira classe duas vezes. A primeira porque a promoção implicava supervisão de outros inspetores, e supervisão significa reuniões, e reuniões são tempo que poderia ser gasto investigando. A segunda porque o chefe que ofereceu a promoção era corrupto e Cauvet não quis dever nada a ele. Nenhuma dessas razões foi dita em voz alta. Simplesmente disse que não, obrigado.


Aparência

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Mediano em tudo exceto no olhar. Altura mediana, peso mediano, cabelos que eram castanhos e são agora de um grisalho sem drama, bigode curto e aparado sem elegância — o tipo de homem que você passa na rua e não registra. Isso, ele percebeu ao longo dos anos, é uma vantagem profissional considerável.

O que não é mediano: os olhos. Cinza-esverdeados, de um foco que as pessoas costumam descrever, depois de alguns minutos de conversa, como "desconfortável". Não é hostilidade — é atenção. Cauvet ouve do jeito que a maioria das pessoas não ouve: completamente, sem preparar a própria resposta enquanto o outro fala, sem classificar o que está sendo dito antes do fim da frase. Isso faz com que as pessoas, instintivamente, falem mais do que pretendiam.

Veste sempre o mesmo tipo de roupa: terno de lã escura com manchas de tinta nos bolsos do jaleco (anota coisas nos bolsos quando não tem papel à mão), sapato com sola mais grossa do lado esquerdo para compensar o comprimento diferente das passadas. Carrega uma bengala de freixo com ponteira de cobre — não como adorno, mas porque sem ela a perna cede depois de três horas andando. A bengala já serviu também como arma de contenção em pelo menos duas ocasiões, fato que ele não menciona espontaneamente.


Os Crimes do Gorila

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O Que Cauvet Chama de "A Série de La Villette"

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Cinco vítimas confirmadas entre outubro e dezembro de 1917, todas na região dos abatedouros municipais e do Canal de l'Ourcq. Cauvet abriu o primeiro processo, os outros quatro foram adicionados por ele mesmo depois que os colegas designados decidiram, sucessivamente, que havia coisas melhores a fazer.


Vítima 1 — Édouard Briand, 44 anos Vigilante noturno do Abatedouro Municipal, Ala C — 9 de outubro de 1917

Encontrado às 5h da manhã encostado na parede de tijolos da entrada lateral. Diagnóstico inicial: queda de andaime. Cauvet foi ao local na tarde seguinte e passou quarenta minutos procurando o andaime do qual Briand teria caído. Não existe andaime naquele lado do prédio. Nunca existiu.

O lado esquerdo do crânio estava completamente deformado — não fragmentado como em queda, mas comprimido, como se algo de enorme superfície plana tivesse pressionado a cabeça contra a parede com força suficiente para fazer o tijolo ceder levemente. Há uma marca na parede. Cauvet mediu: está a 1,85m do chão. Briand tinha 1,72m.

O que isso significa: algo ergueu Briand do chão e o pressionou contra a parede.


Vítima 2 — Théodore "Titi" Marchais, ~60 anos (sem documentos) Sem domicílio fixo, dormia sob o Pont de Crimée — 3 de novembro de 1917

Corpo encontrado por um barqueiro às 6h30. Ambos os braços separados do tronco. O médico-legista escreveu no laudo, depois de raspar o que tinha escrito e recomeçar três vezes: "traumatismo por tração extrema, incompatível com instrumentos cortantes convencionais — os tecidos apresentam deformação por estiramento anterior à ruptura."

Em linguagem comum: os braços foram arrancados. Não cortados. Puxados até soltarem.

O médico pediu a Cauvet, em particular, que não divulgasse o laudo. Disse que se alguém lesse aquilo pensaria que ele estava inventando. Cauvet guardou o laudo no fundo da pasta.


Vítima 3 — Fernand Couteau, 38 anos Barqueiro do Canal de l'Ourcq — 17 de novembro de 1917

Retirado do canal perto da Écluse de la Villette. Coluna vertebral fraturada em três pontos. O médico disse que o padrão de fratura era consistente com queda de grande altura — mas o ponto onde Couteau entrou na água era a margem do canal, a cinquenta centímetros do nível da água. Não há altura.

O que há: marcas na lama da margem. Cauvet as fotografou com a câmera que comprou do próprio bolso quando a delegacia disse que não havia verba para documentação fotográfica. As marcas mostram um padrão de pisada incomum — grande, descalço, com distribuição dos dedos anormalmente larga, quase como uma mão. A passada mede 1,1 metro entre um passo e o seguinte.


Vítimas 4 e 5 — Sargento Henri Maury, 31 anos / Sargento Clément Perret, 29 anos Policiais — Rue d'Aubervilliers, próximo ao Entrepôt de Lã — 4 de dezembro de 1917

Estes são os casos que fecharam a investigação para todo mundo exceto Cauvet.

Maury e Perret foram enviados para verificar um relato de barulho suspeito num armazém desativado. Foram encontrados às 5h da manhã seguinte. Maury com o pescoço girado 180 graus. Perret com o tórax colapsado — as costelas fraturadas de fora para dentro, o que implica uma compressão frontal de força que o médico-legista recusou-se a quantificar por escrito porque, nas palavras dele, "qualquer número que eu colocasse aqui seria implausível".

Nenhum colega de Cauvet voltou a La Villette depois das 20h. Nenhum falou sobre os casos nos corredores. O chefe do commissariat chamou Cauvet na sala e disse, escolhendo as palavras com cuidado: "Rémi, há crimes que a polícia não resolve, e há crimes que a polícia não pode resolver, e a diferença entre os dois é uma questão de saúde."

Cauvet disse que entendia. Saiu da sala, foi à sua mesa, abriu a pasta e começou a reler tudo desde o começo.


A Testemunha — Auguste Gobert, 57 anos Operário do turno noturno da Estação de Bombeamento do Canal

Gobert viu algo na noite de 17 de novembro — a mesma noite de Couteau. Olhou pela janela lateral da estação em direção ao canal e viu, por aproximadamente quatro segundos, uma figura na margem oposta.

Seu depoimento, transcrito literalmente por Cauvet:

"Era grande. Maior do que um homem. Mas andava como um homem, em dois pés, só que... dobrado. Com os braços compridos demais. Pensei num gorila, sabe, como nos livros, mas maior do que qualquer gorila que já vi em foto. Sumiu no escuro antes que eu pudesse ver direito. Não contei para minha mulher."

Gobert passou o restante do depoimento tentando retratar o que havia dito e sugerindo que talvez fosse cansaço, ou a neblina do rio, ou o vinho do almoço. Cauvet anotou tudo e não tentou dissuadi-lo nem confirmá-lo. Depois que Gobert foi embora, escreveu no canto da página, a lápis: "acredito nele."


A Teoria do Gorila

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Na pasta de couro que Cauvet carrega, há vinte e três páginas de notas manuscritas com o título provisório "Hipótese do Primata". O argumento central, resumido: as evidências físicas — padrão de pisada, força necessária para os ferimentos, alcance de braço implicado pela posição das vítimas — são consistentes com um primata de grande porte, significativamente maior do que qualquer gorila adulto registrado pela ciência.

As páginas seguintes documentam:

  • Contato enviado a todos os zoológicos e circos da França e Bélgica perguntando sobre animais escapados ou incomuns. Nenhuma resposta útil.
  • Uma seção intitulada "e se não for um animal" que está rabiscada e reescrita quatro vezes. A versão atual diz apenas: "hipótese descartada por impossibilidade."
  • Uma página em branco com uma única linha: "mas os braços chegavam quase ao chão."

Cauvet não acredita totalmente na própria teoria. Mas é a única que encaixa em todas as evidências, então é com ela que trabalha.


Estado Atual (Dezembro de 1917)

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Cauvet está fazendo vigílias noturnas sozinho em La Villette três vezes por semana, armado com o revólver de serviço e a bengala, apostando que o agressor vai reaparecer no mesmo território. Dorme em turnos de três horas. Começou a beber café em quantidade que o médico chamaria de preocupante se soubesse. Está com os olhos fundos e os nervos mais curtos do que o habitual.

Também está com medo — mas é o tipo de medo que ele processa como dado informativo, não como sinal de recuo. Sabe que o que matou Maury e Perret é capaz de matá-lo também. Sabe que vai sozinho para a escuridão de La Villette porque nenhum colega viria com ele. Processa isso, anota na pasta, e vai assim mesmo.

A questão que não consegue responder: para quê? O chefe pediu para parar. As vítimas não têm família com influência. Não há pressão política. Não há recompensa. Cauvet considera essa questão durante alguns minutos antes de dormir em cada turno de três horas e nunca chega a uma resposta satisfatória. Acorda e vai assim mesmo.


O Encontro com Aiden

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O encontro mais provável acontece numa das vigílias noturnas de Cauvet em La Villette — num beco próximo ao canal ou nas imediações do armazém da Rue d'Aubervilliers, onde Mirko foi visto pela última vez.

Cauvet está parado numa sombra, imóvel, observando. Aiden chega rastreando o cheiro de Mirko pelo mesmo corredor. No escuro, ambos percebem a presença do outro ao mesmo tempo. Cauvet aponta o revólver — um reflexo condicionado por dois meses de investigação solitária num bairro onde dois colegas morreram. Aiden para.

O que Cauvet vê: um ruivo estranho, de casaco inadequado para o frio, que apareceu sem fazer ruído num beco que ele estava vigiando há uma hora sem ver ninguém passar. Que não demonstra medo diante de um revólver apontado. Cujos olhos, no escuro quase completo, parecem refletir luz que não existe.

O que Cauvet não faz: atirar imediatamente, gritar por reforços, ou fugir. Fica imóvel, o revólver firme, e diz:

Polícia. Não se mova. O que está fazendo aqui?

A partir daí, a conversa depende de Aiden.


Por Que Ele É Útil

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Cauvet tem o que Aiden não tem: documentação. Vinte e três páginas de notas, fotografias das marcas de pisada, o laudo médico que o médico-legista recusou a assinar, o depoimento de Gobert. Ele rastreou o padrão de movimento de Mirko ao longo de três meses e identificou, com a metodologia de um investigador experiente, os locais onde a criatura tende a reaparecer.

Para encontrar Mirko, Aiden precisa de rastro. Cauvet é o rastro.


Por Que Ele É Um Problema

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Não vai parar. Isso não é bravura performática — é a ausência de um mecanismo interno que diga isso é grande demais para mim. Cauvet encontrou esse limite várias vezes na carreira e simplesmente não o reconheceu como limite.

Se Aiden tentar avisá-lo para ficar longe, Cauvet vai perguntar por quê. Se Aiden mentir, Cauvet vai notar a inconsistência e anotar. Se Aiden disser a verdade... bem. Isso é um problema diferente.

Enquanto Cauvet investigar, ele é uma isca viva. Mirko eventualmente vai notar o homem com a bengala que aparece no seu território com regularidade previsível. O resultado disso é a Vítima 6, e Aiden sabe que humanos com princípios que o lembram de Marguerite não costumam sobreviver ao cruzamento com o mundo vampírico sem intervenção.


Gancho para o Narrador

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Cauvet não é um aliado fácil nem um obstáculo simples. É um homem que chegou à beira de uma verdade que vai destruí-lo se ele der mais um passo — e que não tem nenhuma intenção de parar.

Para Aiden, ele é um espelho desconfortável: alguém que persiste por princípio em situações onde a lógica pede recuo, que protege pessoas que ninguém mais protege, que funciona pela mesma teimosia obstinada que o próprio Gangrel reconhece em si.

A pergunta que a narrativa pode fazer é simples: Aiden vai deixar Cauvet virar a Vítima 6?

E se não vai — o que está disposto a fazer para evitar isso sem revelar o que sabe?