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== Personalidade == Angelo não é teatral. É '''direto'''. Enquanto outros vampiros resolvem afrontas com palavras afiadas, jogos de poder ou sedução, Angelo resolve com '''o soco certo no momento certo'''. Não por falta de inteligência, mas porque acredita que certas conversas não merecem eloquência. É abertamente gay e completamente destemido em relação a isso. Discriminação não o deixa reflexivo: o deixa com o punho fechado. Sua resposta a insultos homofóbicos não é uma réplica inteligente; é impacto físico imediato. Ao contrário de [[Artem Razumovski|Artem]], Angelo não tem interesse em seduzir o mundo nem em modelar como os outros se apresentam. Sua relação com estética é '''pessoal e intransferível''': ele se expressa através de como se veste e se apresenta, mas não projeta isso nos outros nem os julga por isso. Enquanto Artem arruma o cabelo de Lev e se importa com o visual alheio, Angelo pinta as próprias unhas e não olha para o lado. | | '''Artem''' | '''Angelo''' | |---|---|---| | '''Estilo''' | Aristocrático, polido | Próprio, iconoclasta | | '''Modo de ser''' | Teatral, boêmio, se acha o lindão | Direto, expressivo, não precisa de plateia | | '''Resposta a homofobia''' | ''"Uma pena, eu adoraria te levar pra cama..."'' | '''SOCO''' | | '''Relação com moda''' | Penteia o próprio cabelo e o dos outros | Pinta as unhas e não liga para os outros | | '''Sedução''' | Libertino, não pode ver homem que dá em cima | Não é o foco; prefere se expressar | ---- === O que Angelo não é, e o que isso diz sobre o que ele é === Angelo não performa. Esta é a distinção que mais importa. Frank-N-Furter performa. Artem performa. Há uma plateia em mente, um efeito calculado, um prazer em ser visto sendo fabuloso. Angelo não tem isso. A jaqueta rosa não é fantasia, não é provocação, não é declaração. É simplesmente o que ele usa. Não existe gap entre o Angelo que os outros veem e o Angelo que existe quando ninguém está olhando. O <code>QUEER</code> tatuado no peito não é manifesto político. É apenas verdade descritiva, como ter cabelo escuro ou unhas compridas. ''"Don't dream it, be it"'' pressupõe que existiu um momento em que você ainda estava sonhando. Angelo não se lembra desse momento. Isso o torna, de certa forma, impossível de categorizar. As pessoas tentam: gay demais para este século, italiano demais para Paris, vampiro de menos para os Kindred que esperam filosofia e jogo político, Brujah de menos para os que esperam raiva sem nuance. Nenhuma caixa fecha. Não porque ele ativamente resista à categorização, mas porque simplesmente não cabe e não está prestando atenção suficiente para tentar caber. Há algo vagamente desconcertante nisso, como uma peça de quebra-cabeça que pertence a um puzzle completamente diferente. Pessoas que tentam entender Angelo saem da conversa com a sensação de que a conversa os entendeu mais do que eles entenderam ela. ---- === Irreverência como idioma === Angelo não é sombrio. Ou melhor: é, mas não deixa isso pesar. É um morto que não envelhece, numa cidade em guerra, sob ocupação de um regime que o mataria duas vezes pela raça e pelo sexo, se soubesse o que ele é. Tem todo o direito de ser pesado. Em vez disso, tem um soco seco e provavelmente alguma coisa seca logo depois, dita com a expressão de quem comentaria o tempo. A leveza não é ingenuidade. É uma escolha feita por alguém que já viu o suficiente para saber que o horror fica maior quando você o trata com reverência demais. ''"Você vai me matar? Sou morto, amor. Qual é o plano exatamente?"'' Há uma liberdade particular em já ter atravessado o pior: você pode encarar qualquer ameaça subsequente com uma certa falta de urgência que é, simultaneamente, a coisa mais corajosa e a mais irritante do mundo. ---- === A gravidade === Angelo não tenta ser a coisa mais interessante na sala. Ele simplesmente é, e não faz nada a respeito. Atenção vem na direção dele de forma que ele nem nota, não porque seja insensível, mas porque nunca foi uma prioridade. Não busca olhares, não os recusa, não os gerencia. Está ocupado demais existindo para monitorar como isso afeta os outros. Em 1943 Paris isso é, em si, uma forma de poder: a maioria das pessoas que sobrevive sob ocupação aprende a ocupar menos espaço, a se tornar invisível, a não chamar atenção. Angelo faz o oposto sem esforço e sem estratégia. Simplesmente transborda. ---- === A única coisa sem ironia === Há um ponto cego em toda essa imunidade ao mundo. Quando Angelo fala da estrada, não fala de forma teatral, não faz piada, não enquadra como desafio político. Fala com uma quietude que não aparece em mais nenhum outro contexto. É o único desejo que ele carrega sem armadura. Não ''"quero provocar a ordem estabelecida"'' nem ''"quero sobreviver a mais uma guerra"''. Quer pegar a moto e ir embora, sem destino específico, sem obrigação no horizonte, sem ninguém esperando por ele. Para alguém que habita tudo o que é com tanta solidez, esse desejo de movimento contínuo tem um peso particular. Como se o único custo de ser completamente Angelo fosse que, às vezes, completamente Angelo precisa da estrada. Não para ser outra pessoa. Para ser essa pessoa em movimento, que é diferente. A moto não é transporte. É a fresta. ---- === Como jogar Angelo === * Ele resolve conflitos verbais com violência física imediata, sem aviso e sem drama * Ele faz piadas secas sobre situações sérias, com tom de quem está comentando o tempo * Ele existe no espaço sem gerenciar como isso afeta os outros: ocupa, transborda, segue em frente * Ele cuida das próprias unhas com atenção ritual, mesmo no meio do caos * Ele responde perguntas sobre si mesmo com o mínimo necessário, sem explicar nem justificar * Ele se incomoda com ordens que exigem conformidade, qualquer que seja a fonte * Ele fala da moto e da estrada com uma quietude diferente de tudo o mais que diz * Ele veste a jaqueta e passa o delineador da mesma forma que coloca os sapatos: sem comentário, sem cerimônia, como parte do que é acordar * Ele reconhece outros queer com um olhar direto e nada mais, sem fazer disso um momento ou uma aliança declarada * Ele recebe olhares sobre a própria aparência devolvendo o olhar com calma, sem desafio e sem desconforto, como quem espera que o outro resolva o próprio problema ----
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