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=== História — Théodore Grimault === Nascido em 1878 em Lyon, filho de um relojoeiro, Théodore cresceu fascinado pelos mecanismos do relógio do pai — pela ideia de que sistemas complexos podiam ser desmontados, compreendidos e reassemblados em funcionamento superior. Tornou-se cirurgião pela mesma lógica: o corpo humano era o mecanismo mais intrincado que existia. Por volta de 1915, era chefe de cirurgia em um hospital de campanha nos arredores de Paris. Realizou mais de dois mil procedimentos em dois anos. O volume inevitavelmente o detachou da percepção dos pacientes como pessoas — tornaram-se problemas de engenharia. Ele não notou a transição. Sua sire era uma Malkavian que passara quarenta anos percorrendo hospitais europeus, fascinada pela relação singular que cirurgiões mantêm com a mortalidade — a capacidade de infligir dano calculado com a intenção de curar. Abraçou Grimault em 1916 após observá-lo realizar uma cirurgia de seis horas em um soldado que claramente não sobreviveria. Grimault sabia disso e continuou assim mesmo, refinando técnica pelo prazer da técnica. A sire considerou que o Abraço completaria um processo que já estava em curso. Estava certa. Grimault não considera que enlouqueceu. Considera que finalmente vê com clareza: corpos — de mortais, de Kindred, de qualquer ser com anatomia discernível — são sistemas a serem mantidos, reparados e, quando possível, melhorados. Que os sujeitos de suas melhorias ocasionalmente não consintam é uma questão administrativa, não ética. Ele explica isso com muita paciência para quem perguntar.
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