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== A História de Flores == === A Vida Mortal === Flores nasceu cega. Condições misteriosas — os pais nunca souberam explicar, ou não quiseram. O que sabem é que não quiseram arcar com ela: entregaram-na a um monastério ainda jovem. O monastério lhe deu educação e abrigo. Também servia a uma '''ordem precária de caçadores de vampiros'''. Flores viveu ali como freira — e sofreu abusos. O filho que carregava, Pavel, era fruto desse sofrimento. Ela não o rejeitou. Desenvolveu apego, mesmo assim. === A Traição no Monastério === A ordem organizou uma comissão para destruir um vampiro poderoso na região: [[Paulino]]. Flores foi incluída no grupo sem compreender completamente o que fariam. Saíram. E foram emboscados por [[Paulino]] em forma Zulo — uma carnificina. No caos, '''Flores enxergou oportunidade'''. Não apenas de sobreviver — de se vingar dos mesmos homens que a abusaram durante anos. Ela empurrou um deles sobre a criatura. Depois outro. Entregou partes dos guerreiros para o monstro. E quando tudo acabou, Flores ficou de pé. E aceitou o que vinha a seguir. === O Acolhimento de Paulino === [[Paulino]] não a matou. Pelo contrário — a acolheu. O motivo é vago até para ele. Mas [[Paulino]] tem fascínio profundo por '''indivíduos de grande determinação''': seres humanos capazes de agir contra tudo que deveriam ser, por algo que consideram maior. Flores, uma freira cega que traiu seus companheiros com frieza calculada, era exatamente isso. Ela tornou-se sua '''carniçal''' — uma posição muito similar à que ele mesmo ocupou com seu antigo mestre. Livre, útil, próxima. Eles acabaram se apaixonando. === A Cegueira e os Experimentos === [[Paulino]] ofereceu tentar '''curar sua cegueira'''. Não conseguiu — até hoje. Mas Flores, em vez de esperar, aceitou ''outros meios''. Ele começou a experimentar '''Vicissitude nela''': apêndices sensoriais inspirados em insetos, terminações táteis expandidas, estruturas que traduzem o ambiente em formas não-visuais de percepção. Ela se tornou o primeiro sujeito dos experimentos — voluntária e entusiasmada. Foi durante esse período que Flores aprendeu a usar '''Animalismo como visão''': delegar sua percepção aos olhos de fâmulos — centenas de animais conectados à sua rede. Furão é o mais constante. Ela rastreia pessoas, mapeia territórios, observa conversas — tudo através de criaturas que as pessoas nem percebem que estão ali. === O Abraço e a Perda === Quando chegou o momento, Flores foi abraçada por '''um dos servos Gangrel de [[Paulino]]'''. O Abraço causou um aborto. O bebê — Pavel, filho do abuso no monastério, por quem ela havia desenvolvido apego apesar de tudo — não sobreviveu. Ela seguiu em frente sem parar. Assim como da primeira vez. Mas dessa vez alguma coisa não fechou. === A Vida Cainita — O Romance dos Monstros === Como vampira, Flores e [[Paulino]] construíram um '''romance acadêmico de monstros''': dois seres completamente fora do mundo humano, unidos pela pesquisa, pela filosofia e por algo que, entre eles, funciona como afeto. Ela absorveu a visão científica de [[Paulino]] sobre o vampirismo — o modelo evolutivo, a lógica parasitária, a necessidade de adaptação. Mas trouxe algo que ele nunca teve: '''analogias religiosas'''. O nome "Nova Éden" é dela. Para [[Paulino]], é eficiência descritiva. Para Flores, é literalmente isso — um jardim onde o que a humanidade descartou pode existir e florescer. Com o tempo, a forma bestial de Flores — que inicialmente se assemelhava a uma centopeia, como [[Aiden]] — foi sendo refinada por uso intensivo de Vicissitude até se tornar algo diferente: maior, mais complexo, mais estranho. ----
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