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== Biografia == Maksim Vladimirovitch Asimov nasceu em 1866 em Volzhensk, no Império Russo, segundo filho de [[Vladimir Asimov]] e Lizaveta Asimova. Era o herdeiro varão, o que em tese lhe garantia tudo: o nome, as terras, os negócios, o futuro. Na prática, garantia principalmente a obrigação de ser digno de um pai que tinha a crueldade como idioma materno. Cresceu na biblioteca. Era ali que ficava a maior parte do tempo — entre estantes que "denunciavam épocas passadas" das quais ele mal tinha conhecimento, mas sobre as quais gostava de falar como se as vivesse. Tinha facilidade com latim e grego, notas impecáveis em literatura e matemática, e a vantagem cruel de ser genuinamente inteligente num ambiente que premiava a aparência da inteligência com muito mais generosidade do que a coisa real. Aos quinze anos, quando [[Lev Volkov|Lev Ivanovitch]] chegou à propriedade dos Asimov como criado, Maksim era um jovem eslavo de cabelos castanhos bem penteados, olhos afiados da mesma cor e hábito de se vestir em cores claras — diferente do pai, que preferia os cinzas. Impecável, observador, rápido em fazer perguntas e lento em aceitar respostas que não fossem as que já imaginava. O que logo ficou claro é que, por baixo da postura de nobre feita, havia um rapaz de temperamento elástico que oscilava entre a arrogância calculada e a ansiedade genuína. Quando Lev começou a enrolar Maksim com histórias sobre a suposta linhagem nobre de Vasily Korotov e as possibilidades de negócios que isso abriria, Maksim não resistiu nem por cortesia. Absorveu cada palavra com os cotovelos fincados na escrivaninha e os olhos de quem finalmente via o tabuleiro que não sabia que existia. Ficou obcecado com o plano. Via nos Tolstói a escada que faltava — uma aliança que lhe daria influência em São Petersburgo, contratos de ferro fundido e a inédita capacidade de olhar para o pai e dizer, em silêncio, que venceu. Cedia papel, tinta e espaço da biblioteca para as lições de alfabetização de Vasily, justificando ao pai que "um criado letrado seria mais útil para separar correspondências." Bebia whisky enquanto observava Lev e Vasily aprenderem as primeiras letras e se convencia de que estava montando uma operação de alto nível. Enquanto isso, se apaixonou por Sofia Ivanova Kostina. Ou acreditou que se apaixonou, que nem sempre é a mesma coisa. Mandou Lev entregar presentes e bilhetes à filha dos Kostin — incluindo uma pulseira de ouro com esmeraldas que havia pertencido à falecida Lizaveta Asimova — e ficava na sala de estar roendo as unhas esperando a resposta. Quando soube que Sofia dissera que ele tinha "o seu coração", levantou do sofá como se tivesse ganho a guerra da Crimeia. Escreveu poemas. Anunciou que escreveria mais poemas. O noivado aconteceu. E com ele, o inevitável: os dois se descobriram incapazes de estar no mesmo cômodo por mais de dez minutos sem que alguém fosse xingado. Maksim chamava Sofia de maldita com o mesmo tom em que outros dizem bom dia. Sofia lhe roubava o uísque para derramar no chão. Ele dizia que a desprezava; ela dizia o mesmo. E mesmo assim continuavam um ao lado do outro, resmungando e bebendo, porque o despejo mútuo tinha qualquer coisa que se parecia com necessidade. Em 1884, Maksim embarcou para São Petersburgo com a intenção de ingressar na universidade. Levou Lev e Vasily, uma mala grande, um cantil no bolso e os documentos que comprovavam ser um jovem respeitável "sem transgressões ou envolvimentos com ideias perigosas" — o que o narrador descreve como uma das afirmações mais otimistas da burocracia russa. Chegou à pensão de Ivan Kunetzov, alugou o lugar inteiro com a naturalidade de quem nunca considerou que o dinheiro poderia acabar, e foi encontrar "intelectuais e rapazes aristocratas" em bares e bibliotecas enquanto Vasily ficava proibido de sair. O que Maksim não sabia é que Lev havia planejado meticulosamente sua derrota. Na véspera da matrícula, Maksim estava bêbado e deprimido com os resmungos de Sofia. Enquanto dormia, Lev usou seus documentos para se matricular no lugar dele. Dias depois, Maksim foi sequestrado — encontrado mais tarde acorrentado pelo tornozelo em um galpão, com as roupas imundas, o rosto marcado por hematomas (um deles cortesia de Lyubov, uma Gangrel de Artem), olhos inchados de choro e alguns quilos a menos do que ao sair de Volzhensk. Quando Lev desceu até ele, Maksim o recebeu como se esperasse: gritou que era um demônio, prometeu matá-lo lentamente, e tentou ficar de pé apesar da corrente. ''"DEMÔNIO!"'' — a voz ecoou no galpão com a qualidade de quem ainda acreditava que o volume poderia reverter a situação. Não poderia. Lev lhe contou que Vladimir estava morto. Uma lágrima cedeu na pálpebra de Maksim antes que ele entendesse o que aquilo significava. Depois entendeu tudo de uma vez: o pai, a irmã como refém, o criado de rua que havia virado ele mesmo enquanto ele apodreciria ali. ''"Você o matou. E fará o mesmo comigo."'' — concluiu com a voz calma de quem é iluminado por compreensão tardia. Não faria. Mas a alternativa que Artem propôs era outra coisa: abandonar a vida pregressa, o nome, a identidade. Renascer como outro homem. Maksim aceitou. Partiu para Kerch com Sofia Ivanova sob o nome de '''Evgeni Sevastyan''', servo de confiança da família Kostina — o homem que havia tirado o traje de noivo e vestido o de criado. A ironia não passou despercebida por ninguém. Vladimir foi velado. Anastasia se casou com Vasily naquela mesma noite. E Maksim Vladimirovitch Asimov, herdeiro dos Asimov de Volzhensk, simplesmente deixou de existir para o mundo que o conhecia — substituído por um criado de rua que havia passado três anos imitando seus gestos na frente do espelho. [[File:Maksim-Asimov.png]] ----
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